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atenciosamente's avatar

Vejo processos analógicos como resistência em uma realidade cada vez mais e mais digitalizada e comercial (visto que eu trampo com design e muitas vezes chega a ser mentalmente exaustivo). Não é a procura pela perfeição no método de fazer esses journals, mas sim um processo de coleta rupestre, uma atividade de curadoria do próprio cotidiano, não tem coisa mais linda que isso. O jeito de fugir das pressões das redes sociais é... fugir delas de fato, cada dia uso menos essas plataformas e tento me conectar com comunidades físicas em "ambientes verdadeiros" (aspas por não conseguir encontrar um termo melhor no momento). A felicidade de ver essa bagunça que muita gente não gosta é inenarrável e uma das coisas que mais me faz querer conhecer coisas e espaços novas.

Obrigada pelo texto, hele <3

hele carmona's avatar

que jeito lindo de falar - uma coleta :) me lembrou do texto da ursula le guin, a ficção como cesta. tem msm muito valor nessa curadoria, principalmente quando ela é pessoal e não um espetáculo

Janaína Esmeraldo's avatar

obrigada pela ode aos junk journals! também fazia isso quando não tinha nome, guardando os papeizinhos efêmeros pra lembrar do meu dia-a-dia... hoje vou folhear minhas agendas antigas e os ingressos de cinema tão lá tudo apagado. rs uma pena que na internet hoje tudo pode virar performance, né? eu até evito compartilhar algumas das minhas páginas de colagens, porque num pequeno momento performático posso acabar contaminando o processo futuro...

Lorena's avatar

eu tenho pensado muito em tradições que se perpetuam em diferentes contextos e esse texto me fez lembrar da minha agenda escolar, mais ou menos em 2005. eu não era o tipo de aluna que anotava tarefas de casa (ou lembrava de fazer depois), mas minha agenda era toda decorada com itens aleatórios, desde ingressos de cinema até fotos de polaroids com as minhas amigas. era um tipo de junk journal da época, acho, porque eu fazia páginas temáticas de filmes com imagens cortadas de revistas e outras coisas assim (e era uma troca que o grupinho fazia junto).

não tenho mais esses registros e sei lá, poderia ser triste, mas no fim das contas, acho que a efemeridade faz parte do processo também. vinte anos atrás eu não fazia colagens pra guardar, mas pra ter algum tipo de personalidade nas chatices da rotina. mas achei gostoso lembrar dessa troca bem i'm just a girl que rolava na sexta série.

hele carmona's avatar

que memória bonita :') as gerações que tiveram agendas e diários de papel como a opção principal de reunir memórias teve sorte, né?

Thais Tavares's avatar

Muitas vezes eu me segurei na vontade de guardar algum "lixo" que achava bonito, por julgamento das pessoas do meu entorno, ou que moravam comigo. "Pra que vc vai guardar isso? Vai usar pra que?" e isso me constrangia. Mas vejo que esse interesse pelos grafismos mais cotidianos não é sem fundamento, e cada vez mais me sinto empoderada de dar voz a esse ímpeto. Adoro junk journal, muito material nobre vai pro lixo e dá menos "dó de usar" (quem gosta de papelaria sabe esse sentimento), ajudando a criatividade a se expressar com mais frequência e inventividade.

marina's avatar

as pessoas do meu convívio sabem do meu journal, sempre que junto algo elas ficam "é pro seu caderninho?" ai eu "sim! 😄". virou uma atividade meio compartilhada, numa viagem as pessoas me dão papelzinhos pra eu colar antes mesmo de eu pedir, kkkk

Paula Maria's avatar

Ah hele, eu li metade do texto sorrindo e metade grunhindo de raiva, rs. Vou repostar seu texto com as páginas de <junk> que faço nas minhas agendas há anosssss sem nem saber que isso tinha um nome, rs. Obrigada por mais uma pesquisa maneira!

Naiara's avatar

putz, eu amo muito essa newsletter!!! além de me inspirar a por mais a mão na massa me faz por a mão na consciência tb hahaha

camila romero's avatar

meu deus... não sabia que as pessoas estavam fazendo isso, tipo, literalmente comprando o que colocar no journal, ao invés de naturalmente guardar um recibo de algo do cotidiano, como qualquer pessoa faz... passada

Almagrafias's avatar

Esse post apareceu hoje pra mim, e foi um baita incentivo para começar. Essa ideia de performance em coisas que deveriam ser hobby tira muitas vezes o brilho de começar algo novo, o medo da comparação sempre surge

Renata's avatar

amei o seu texto!!! eu comecei a coletar esses lixos há pouco tempo e estou encantada com esse universo. confesso que no começo o que mais me travava era a comparação com os journals que via no TikTok, mas em uma news, vi uma autora falando “gente!! é literalmente lixo colado num papel”, então não tem essa de ficar lindo perfeito instagramavel. depois disso eu “me libertei” :))

Luly Lage's avatar

Faz duas semanas que fui apresentada ao conceito de junk journal e como "dona e proprietária" de um ateliê de encadernação, amei muito, junto com as pessoas que me apresentaram estou até criando um conceitozinho de caderno que funcione especificamente pra isso... OK, monetizei o hobbie, mas fiz isso muito porque só produzo o que faz sentido pra mim, e a sua abordagem é justamente o que tem martelado na minha cabeça e me faz achar essa prática genial: criação de memória iconográfica, quase, da nossa própria vida. É fascinante justamente por não ser "aesthetics", e ver esses livros pra recorte de junk journaling me deixa chateada em saber que MAIS UMA VEZ exibir a vida é mais importante do que viver, principalmente em uma atividade que é um belo reflexo da vida...

Heloisa Gaiardo's avatar

Faço isso e nem sabia que tinha um nome! Que legal!

igor medeiroz's avatar

o capitalismo ataca mais uma vez: agora é o lixo (não da forma como a gente pensava)!

Alê Costa's avatar

Vou compartilhar um pouco da minha experiência. Não tenho exatamente um junk journal, mas um caderno que chamo de caderno de memórias. Eu mesma fiz o caderno. Comecei a fazer colagens a partir de uma viagem que fiz para SP para apresentar minha pesquisa de mestrado que é sobre Diário pessoal. Na verdade, o hábito de escrever um diário me levou ao junk journal. Não compro nada. Uso o que tenho e se quero dar um frufru, pego coisas no Pinterest e imprimo em papel comum mesmo. Mas depois que comecei a fazer isso, virei uma coletora/ colecionadora de papeis que iriam para o lixo. Fiquei muito feliz de ter encontrado um texto sobre esse assunto em português. Eu venho adiando escrever um, mas, por vários fatores nunca consegui escrevê-lo.

Mariana Belloti's avatar

Eu amei esse texto, também descobri os junk journals pelo tiktok e achei a ideia incrível para documentar momentos especiais. Porém, fiquei chocada em como já tem até kits de junk para você comprar.